O que é CDI? Conheça a taxa que define o rendimento da maioria dos investimentos de renda fixa

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa usada como referência para a maioria dos investimentos de renda fixa pós-fixados, acompanha de perto a Selic e influencia diretamente o rendimento de CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI.

Por Pagou Fácil

Mulher idosa sorrindo em casa ou escritório, usando tablet em mesa com caneca e livros ao fundo, com vista de janela para prédios e área verde, sugerindo estudo e planejamento.

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título de curtíssimo prazo emitido por bancos para realizar operações de empréstimo entre si. Quando um banco precisa de dinheiro para fechar o caixa do dia e outro banco tem sobra de recursos, eles negociam por meio de CDIs.

A taxa praticada nessas operações se chama taxa CDI ou taxa DI. Ela é calculada e divulgada diariamente pela B3 (a bolsa brasileira), com base na média ponderada das transações entre bancos.

Por que isso importa para o investidor comum? Porque essa taxa virou referência para quase todos os investimentos de renda fixa pós-fixados disponíveis no Brasil. Quando você vê uma aplicação que “rende 100% do CDI”, significa que ela acompanha exatamente o que os bancos pagam entre si nas operações interbancárias.

A taxa CDI é fortemente influenciada pela taxa Selic, definida pelo Banco Central. Em geral, o CDI fica 0,1 ponto percentual abaixo da Selic. Quando a Selic está em 14,75% ao ano, o CDI tende a ficar em torno de 14,65% ao ano.

Índice

Como funciona o CDI?

O funcionamento do CDI segue uma lógica simples, mas fundamental para o sistema financeiro.

  1. Necessidade de equilíbrio diário: por determinação do Banco Central, todo banco precisa fechar o dia com saldo positivo no caixa.
  2. Empréstimos entre bancos: quando um banco fica com saldo negativo, ele pega emprestado de outro banco que tenha sobras.
  3. Emissão de CDI: esse empréstimo entre bancos é formalizado por meio do Certificado de Depósito Interbancário, com prazo geralmente de 1 dia.
  4. Cálculo da taxa: a B3 coleta os dados de todas as operações do dia e calcula a taxa média ponderada, que é a taxa CDI.
  5. Divulgação diária: a taxa é divulgada todo dia útil, servindo de referência para o mercado.

A taxa CDI é dada na forma anual e mensal. Em abril de 2026, por exemplo, o CDI mensal foi de 1,04% e o acumulado (2026) fica próximo de 4,48%. Investimentos vinculados ao CDI rendem proporcionalmente a essa taxa.

Para que serve o CDI?

O CDI tem dois usos principais.

  1. Operações interbancárias: é o instrumento original. Bancos usam o CDI para equilibrar caixa diário, garantindo liquidez ao sistema financeiro.
  2. Referência para investimentos: é o principal benchmark para a renda fixa pós-fixada no Brasil. Quase todos os produtos vinculam seu rendimento ao CDI, que serve como “régua” do mercado.

Para o investidor comum, o segundo uso é o que importa. Ao avaliar uma aplicação, sempre se pergunta: “Quanto do CDI ela paga?”. Quanto maior o percentual, mais atrativo o produto.

Investimentos ligados ao CDI incluem:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário);
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário);
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio);
  • fundos DI;
  • Tesouro Selic (que segue a Selic, próxima do CDI);
  • debêntures pós-fixadas.

Para entender melhor como o CDI se aplica na prática, vale conhecer o CDB, um dos investimentos mais populares atrelados a essa taxa.

Quanto rende o CDI em 2026?

O rendimento do CDI varia conforme as decisões do Banco Central sobre a Selic. Veja o panorama atual.

  • Abril/2026: CDI mensal de 0,82%, acumulado 12 meses de 14,79%. 
  • Março/2026: CDI mensal de 1,21%, acumulado 12 meses próximo de 14,8%. 
  • Janeiro/2026: CDI próximo de 12,15% ao ano, com Selic a 12,25%.

A diferença entre meses se deve às variações da taxa Selic ao longo do ano. Quando a Selic é cortada, o CDI cai logo na sequência. Quando há aumento, ocorre o inverso.

Para simular quanto seu dinheiro rende, vale uma referência prática. R$ 10.000 aplicados em um CDB de 100% do CDI a 14,75% ao ano rendem aproximadamente:

  • 30 dias → R$ 116 brutos;
  • 6 meses → R$ 707 brutos;
  • 12 meses → R$ 1.479 brutos;
  • 24 meses → R$ 3.171 brutos.

Essas simulações são brutas. Para chegar ao valor líquido, é preciso descontar o imposto de renda, que varia de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias).

A simulação considera CDI estável, o que raramente acontece. Como o Banco Central altera a Selic ao longo do tempo, o rendimento real pode ser maior ou menor.

Como o CDI influencia os investimentos?

O CDI é o principal indexador da renda fixa no Brasil. Sua influência nos rendimentos é direta e proporcional. Vamos entender como cada tipo de produto se relaciona com a taxa.

CDB pós-fixado

A maioria dos CDBs paga um percentual do CDI. Quanto maior o percentual, maior o rendimento. Veja exemplos.

Percentual CDI Rendimento aproximado em 12 meses (CDI a 14,79%)
80% do CDI 11,83%
100% do CDI 14,79%
110% do CDI 16,27%
120% do CDI 17,75%

 

Bancos digitais e médios costumam oferecer percentuais maiores do que grandes bancos tradicionais. Por isso vale comparar antes de aplicar.

LCI e LCA

Funcionam de forma similar aos CDBs, mas têm a vantagem de serem isentos de Imposto de Renda para pessoa física. Costumam pagar entre 80% e 95% do CDI, mas, na prática, podem render mais que um CDB de 100% do CDI por causa da isenção.

Fundos DI

Fundos que seguem a taxa CDI e têm liquidez diária, ou seja, o dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento. Costumam pagar próximo a 100% do CDI, descontada a taxa de administração.

Poupança

A poupança não acompanha o CDI. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial). Em 2026, isso significa cerca de 6,17% ao ano. Comparado a um CDB de 100% do CDI (rendendo 14,79%), a poupança fica bem atrás.

Tesouro Selic

Acompanha a Selic, não o CDI. Mas como as duas taxas andam próximas, o rendimento é similar ao de um CDB de 100% do CDI. A vantagem é a segurança extra do título público.

Diferença entre CDI, Selic e taxa de juros

Esses três conceitos costumam gerar confusão. Vamos esclarecer.

  • Selic: taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central. É a meta da política monetária.
  • CDI: taxa praticada entre bancos em operações de empréstimo de um dia para o outro. Acompanha a Selic, ficando geralmente 0,1 ponto percentual abaixo.
  • Taxa de juros: termo geral para o custo do dinheiro em qualquer operação financeira, incluindo empréstimos, financiamentos, cartões e investimentos.

Na prática, as três taxas se relacionam. Selic e CDI são quase iguais. As demais taxas de juros do mercado (cartão, empréstimo, financiamento) usam Selic e CDI como base, somando spreads e impostos.

Quando a Selic sobe, o CDI sobe junto. Os investimentos de renda fixa pós-fixada rendem mais, mas o crédito também fica mais caro. Quando a Selic cai, ocorre o inverso.

Como calcular o rendimento de um investimento atrelado ao CDI?

Calcular o rendimento de um investimento atrelado ao CDI é simples. Veja a fórmula básica.

  • Rendimento bruto = Valor investido × (CDI × Percentual do investimento).

Exemplo: você aplica R$ 5.000 em um CDB de 110% do CDI, com CDI atual de 14,79% ao ano. Para 12 meses:

  • taxa real do investimento → 14,79% × 1,10 = 16,27%;
  • rendimento bruto em 12 meses → R$ 5.000 × 16,27% = R$ 813,50;
  • IR (15% para prazo acima de 720 dias) → R$ 122,03;
  • rendimento líquido → R$ 691,47.

Para simulações mais precisas, vale usar calculadoras online ou apps de controle financeiro. Eles consideram a alíquota correta do IR, prazo exato e variação do CDI ao longo do período.

CDI alto vs. CDI baixo: o que muda para o investidor

A variação do CDI tem impactos diretos nas estratégias de investimento. Em momentos de CDI alto, como o atual, a renda fixa fica muito atrativa.

CDI alto (acima de 10% ao ano):

  • renda fixa pós-fixada rende muito;
  • Tesouro Selic, CDB e LCI/LCA são opções vantajosas;
  • renda variável (ações, fundos imobiliários) tende a sofrer, pois o investidor prefere segurança;
  • priorize a reserva de emergência e investimentos conservadores.

CDI baixo (abaixo de 6% ao ano):

  • renda fixa rende pouco, perto da inflação;
  • investidores migram para renda variável em busca de retornos maiores;
  • aplicações pré-fixadas e atreladas à inflação ganham relevância;
  • a poupança fica ainda mais desinteressante.

A composição da carteira deve sempre considerar o cenário macroeconômico, o perfil do investidor e o horizonte de tempo. Para entender melhor, vale combinar com planejamento financeiro sólido e estudar mais sobre investimentos em geral.

Vantagens de investir em produtos atrelados ao CDI

Investimentos atrelados ao CDI oferecem várias vantagens para o investidor brasileiro.

  • Segurança: a maioria dos produtos (CDB, LCI, LCA) é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com proteção de até R$ 250 mil por instituição.
  • Previsibilidade: o rendimento acompanha o CDI, oferecendo certa estabilidade no retorno.
  • Liquidez: muitos produtos têm liquidez diária ou prazos curtos, facilitando o acesso ao dinheiro.
  • Acessibilidade: aportes mínimos costumam ser baixos. Em bancos digitais, é possível investir a partir de R$ 100.
  • Boa relação risco-retorno: em períodos de CDI alto, o rendimento é atrativo com risco baixo.
  • Diversificação simples: permite começar a diversificar a carteira sem complexidade.

Para quem está começando a investir, produtos atrelados ao CDI são uma ótima porta de entrada, especialmente em comparação com a poupança.

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Antes de investir e aproveitar o rendimento do CDI, é fundamental colocar a vida financeira em ordem. Quitar dívidas é o primeiro passo. Não faz sentido aplicar em CDB rendendo 14% ao ano enquanto se paga 400% ao ano em juros de cartão de crédito.

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Glossário sobre CDI

  • B3 (Brasil, Bolsa, Balcão): a bolsa de valores oficial do Brasil. É a instituição responsável por calcular e divulgar a taxa CDI diariamente.
  • Benchmark: um parâmetro de referência usado para comparar o desempenho de um investimento. No mercado de renda fixa, o CDI é o principal benchmark.
  • FGC (Fundo Garantidor de Créditos): entidade que protege o investidor caso a instituição financeira quebre, garantindo o pagamento de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
  • Liquidez Diária: característica de investimentos que permitem o resgate do dinheiro a qualquer momento, sem perda de rendimento ou prazos de espera longos.
  • Pós-fixado: tipo de investimento cujo rendimento está atrelado a um indexador (como o CDI). O investidor sabe qual será a regra de rendimento, mas o valor final depende da variação da taxa.

Perguntas frequentes sobre o CDI

CDI é melhor que poupança? 

Sim, em praticamente todos os cenários. Um CDB de 100% do CDI rende mais do que o dobro da poupança quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.

Qual a diferença entre CDI e Selic? 

Selic é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. CDI é a taxa praticada entre bancos em empréstimos de um dia. O CDI costuma ficar 0,1 ponto percentual abaixo da Selic.

O que significa “100% do CDI”? 

Significa que o investimento rende exatamente o que a taxa CDI render no período. Se o CDI for 14,79% ao ano, o investimento rende 14,79% também (antes do imposto de renda).

CDI tem Imposto de Renda? 

Investimentos atrelados ao CDI, como CDB, têm IR conforme tabela regressiva: 22,5% (até 180 dias), 20% (181-360), 17,5% (361-720) e 15% (acima de 720 dias). LCI e LCA são isentas para pessoa física.

Como saber se um CDB é bom? 

Compare o percentual do CDI oferecido. Em bancos digitais, é comum encontrar CDBs entre 100% e 130% do CDI. Acima de 100%, o investimento supera o próprio CDI; abaixo, rende menos.

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